
Muitas vezes recusamos nossa face mais sombria, aquilo que consideramos feio em nós. Nessa fuga interminável, construímos um percurso de agonia. No entanto, é no encontro com o feio que o belo se revela por inteiro, ao passo em que sua presença jamais esteve ausente. Uma semente não perde sua beleza por ainda não ter desabrochado em flor, seu valor repousa em sua história inteira. A beleza se desvela, então, para além da forma imediata e do espaço: ela é o próprio entrelaçamento entre passado, presente e futuro, acolhendo o feio e o sombrio como dimensões indissociáveis da história e existir do ser.
Isabelle Trida • CRP 04/87665
